A erotização da infância no mundo contemporâneo

  • outubro/2019
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O mundo da criança contemporânea de fato mudou em alguns aspectos da infância que muitos de nós tínhamos como referência há 40 anos. As expressivas transformações sociais, políticas, econômicas e culturais nas últimas gerações em combinação com o fácil acesso infantil a informações sobre o universo do adulto e, particularmente, o surgimento de novas tecnologias de plataformas digitais, redes sociais diversas, rede de celular móvel, como os meios de comunicação de massa e toda a gama de possibilidades da internet, têm modificado as vivências infantis de tal monta que a criança passou a ser entendida pela publicidade, pelos meios de comunicação e pelas diversas indústrias de bens de consumo – que obviamente querem vender um produto – como “um ser” que também consome.

Daí o surgimento de propagandas publicitárias e interesses econômicos de diversos setores na intenção de atrair cada vez mais o público infantil para a compra de comida nem sempre tão saudáveis, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, filmes, música, brinquedos, roupas, jogos de videogames, entre tantos outros. Portanto, as crianças têm sido cada vez mais vistas como um “veículo de consumo”. A infância tem sido vista como “um objeto” almejado.

Dentro desse cenário, também estamos observando uma perigosa erotização da imagem infantil e de corpos infantis. Algumas campanhas publicitárias inclusive geram polêmicas devido ao seu conteúdo expressamente dúbio e, por vezes, coberto de segundas intenções. Os meios de comunicação, os pais, os educadores, os legisladores e os profissionais da saúde vivem um dualismo, pois de um lado querem proteger as crianças e, de outro, as deixam totalmente expostas a essas mensagens dúbias.

Isto certamente traz novos desafios a pais, educadores e profissionais de saúde que passam a ter que lidar de forma mais responsável com essas questões, mas muitas vezes são sucumbidos pela “sedução” e não conseguem perceber quais são os possíveis malefícios da erotização da infância.

A criança receptora deste tipo de mensagem ou de “educação” erotizada pode ser induzida a se comportar como aquela menina ou menino que assiste. Ela quer ser como aquela outra pessoa no modo de vestir com roupas sensualizadas, no modo de dançar de forma erotizada como as mini funkeiras, nos gestos que fazem, nas músicas que cantam ou ser igual aos youtubers infantis que seguem. Também se observa uma inter-relação positiva entre o nível de erotização presente na família de origem da criança e o tipo de relações afetivas na vida adulta destes indivíduos, as quais podem ser abusivas. Assim, tanto a família quanto o ambiente social exercem muitas influências nesta construção de mundo das crianças.

Em 2006, o filme Pequena Miss Sunshine, dirigido por Valerie Faris e Jonathan Dayton, já fazia uma crítica à erotização da infância quando a personagem Olive quer participar do concurso de miss infantil em seu país e mostra o contexto familiar que ela vive, numa sociedade de consumo neoconservadora. Ao mesmo tempo, também nos convida a olhar para a sensualidade infantil ensaiada, imitação de comportamentos de adultos e o que a nossa sociedade tem estipulado como sendo “ideal” de comportamento e de beleza, inclusive no universo infantil.

As preocupações relacionadas à sexualização precoce da infância podem obter diversas formas de influência tanto imediata, quanto em longo prazo, como: pornografia, prostituição, estupro, incesto, gravidez na adolescência, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), pedofilia, antecipação da menarca nas meninas, banalização da atividade sexual. A sensualidade e a criação de um padrão de comportamento de que a criança, em especial a da segunda infância, ainda não está apta a entender acaba influenciando como ela deve se vestir (como uma mulher madura) transformando costumes e comportamentos através de uma forma de violência simbólica.

O que podemos refletir, então, sobre a criança e seu lugar no mundo, sobre o que é beleza, consumo e os valores que realmente importam para o pequeno grande universo infantil? Simples assim: criança é criança! Criança vivencia a sua sexualidade, o que é bem diferente de erotização e sexualização da infância. Os corpos e as imagens delas não devem ser “vendáveis” e ou banalizados para estas finalidades. Somos todos responsáveis em diferentes níveis em preservar e protegê-las deste possível e nefasto fenômeno.

Fontes:

Fischer, Rosa Maria Bueno. (2008). Pequena Miss Sunshine: para além de uma subjetividade exterior. Pro-Posições, 19(2), 47-57. https://dx.doi.org/10.1590/S0103-73072008000200005

FLORES, A., OLIVEIRA JR, J., SANTOS, M. & TEIXEIRA,

Izdebska A, Beisert MJ, Roszyk A.The early childhood sexual experiences and collusion in adult partner relationship. Psychiatr Pol. 2015 May-Jun;49(3):625-36. doi: 10

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