Tratamentos nutricionais a pacientes com Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo

  • agosto/2017
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Apesar dos avanços científicos no tratamento da Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA), cerca de 70% dos casos ainda resultam em morte por falência múltipla de órgãos ou sepse. Uma pesquisa liderada pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e pelo King’s College London tem avaliado se a obesidade, especialmente em mulheres, pode ser um fator extra ao risco de morte por Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo.

O grupo, que estuda também o desenvolvimento da SDRA ligado ao trauma isquêmico intestinal, tenta qualificar se os hormônios femininos seriam responsáveis pela evolução ou retardo do distúrbio pulmonar – já que nem todos apresentam a mesma estabilidade.

“Não são todos os pacientes que sofreram uma isquemia que vão apresentar como resposta a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, mas ela não é rara, e entre 50% e 70% dos pacientes que apresentam o problema morrem”, explica Wothan de Lima, coordenador do Laboratório de Fisiopatologia da Inflamação Experimental do ICB-USP, em entrevista à Revista Exame.

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A SDRA é uma condição pulmonar sem tratamento específico. A variedade de fatores de risco que precisam ser considerados para a prescrição médica exige avaliações individuais com equipe multidisciplinar. Em geral, as intervenções envolvem suporte ventilatório, uso de fármacos e terapia nutricional (TN) – essencial em quadros de hipernutrição – quando há excesso de energia e nutrientes –; ou hiponutrição – em caso de dieta pobre em calorias. A hipernutrição, inclusive, é associada diretamente aos índices de morbidade e mortalidade; e a hiponutrição afeta diretamente o sistema imunológico.

Na terapia nutricional, muitas condutas são semelhantes às prescrições usuais de pacientes internados em unidades de terapia intensiva (UTIs). Um dos principais objetivos da TN direcionada à SDRA é amenizar a resposta inflamatória sistêmica. A determinação da oferta de macronutrientes inclui as recomendações de proteína, carboidrato e lipídio.

Como resultado, os pacientes experimentam resposta ao tempo de ventilação mecânica (VM); melhora das respostas inflamatórias, antioxidante e de cicatrização; além de reduzir taxas de infecção e o próprio índice de mortalidade.

Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo

Redução de dióxido de carbono

A redução de produção de dióxido de carbono (CO2) auxilia o tratamento de SDRA. Para atender aos principais objetivos da terapia nutricional, o profissional deve iniciá-la de maneira precoce para:

  • ofertar quantidades adequadas de calorias e nutrientes;
  • controlar a glicemia.

Determinação de calorias

A dieta de pacientes internados em UTI pode variar durante o período de internação, de acordo com a evolução da doença e do tratamento.

Entre os métodos para determinação das necessidades de energia, destacam-se:

  • calorimetria indireta (CI);
  • cálculos preditivos (equações ou fórmula de bolso).

A CI é conhecida como padrão-ouro para a determinação das necessidades energéticas de pacientes internados em UTI. Isso porque ela é capaz de estimar o gasto energético (GE) a partir das medidas dos gases oxigênio (O2) e dióxido de carbono (CO2) coletados e computados pelo calorímetro durante a respiração. Quando realizada com frequência, a calorimetria indireta permite avaliar as modificações no metabolismo energético que, normalmente, ocorrem em pacientes com SDRA.

Determinação de macronutrientes: as proteínas

A produção acelerada de citocinas pró-inflamatórias, como IL-1, IL-6, TNF-α, estimula os sistemas enzimáticos, o que acarreta intensa proteólise dos tecidos musculares. A partir daí, os aminoácidos são utilizados para síntese de proteínas de fase aguda, neoglicogênese, para cicatrização dos tecidos lesionados e para o sistema imune.

O catabolismo proteico contribui para a atrofia e fraqueza dos músculos – principalmente daqueles envolvidos no sistema respiratório.

Essa condição pode resultar em:

  • atraso no desmame do ventilador;
  • elevação do tempo de estadia na UTI;
  • comprometimento da qualidade de vida após a alta hospitalar.

Para atender a demanda proteica em pacientes críticos, recomenda-se a dieta hiperproteica. A quantidade, independentemente da via que será utilizada (enteral ou parenteral), deve ser indicada a partir do índice de massa corporal (IMC).

Determinação de macronutrientes: os carboidratos

Componente essencial à maioria das células, a glicose é fonte primordial de energia para determinados tecidos e células do sistema nervoso central (SNC), rins e eritrócitos. Sua prescrição é polêmica para pacientes com doença pulmonar retentora de CO2 (hipercapnia). Já foi considerada, inclusive, a principal vilã entre os macronutrientes. Por essa razão, foram desenvolvidas dietas com menos carboidratos e mais lipídios para administração via enteral.

Determinação de macronutrientes: os lipídios

Nos últimos anos, os lipídios se tornaram o macronutriente para pacientes críticos mais estudado entre a comunidade científica. Tanto o W-6 (ácido araquidônico [AA] e ácido linoleico [LA]), quanto o W-3 (eicosapentaenoico [EPA], docosahexaenoico [DHA] e ácido α-linolênico ou ALA) são lipídios de cadeia longa poli-insaturados (PUFAs) e fontes de ácidos graxos essenciais. Ambos possuem propriedades fisiológicas que atuam, principalmente, em resposta a processos inflamatórios.

Os resolvins, como resolvin E-1, resolvin D-1 e protectin D-1, também têm papel essencial na resolução de inflamações. Eles inibem a migração transendotelial do neutrófilo e, dessa forma, previnem a infiltração neutrofílica no local da inflamação. Resolvins e componentes relacionados podem ser imprescindíveis na resolução da inflamação, pois, ao interromper o processo, limitam danos teciduais.

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