Pandemia de coronavírus: o que muda no manejo dos casos

  • março/2020
  • 49 visualizações
  • Nenhum comentário
pandemia coronavírus

Na última quarta-feira, 11 de março, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou pandemia de coronavírus. A classificação é dada a uma doença que se propaga ao redor do mundo rapidamente e de forma simultânea. Segundo especialistas, trata-se de uma estratégia epidemiológica – ou seja, não significa que o vírus esteja fora de controle, mas que os países terão mais recursos para se prepararem à mitigação do vírus Sars-CoV-2 e para enfrentar a doença causada por ele, a Covid-19.

Até o fim da tarde de domingo, dia 15, o Brasil registrava 200 casos do coronavírus. Mesmo com número inferior ao de vários países contaminados, o Ministério da Saúde já vinha cobrando há algumas semanas que a OMS classificasse o vírus como pandemia, a fim de tornar a prevenção mais eficaz. Em situações de pandemia, não apenas os viajantes de países com contaminação local são considerados suspeitos, mas também aqueles vindos de qualquer nação que tenha notificações de infectados.

A partir de agora, serão testados todos os pacientes que apresentarem sintomatologia e histórico de viagem recente. A medida vale enquanto a transmissão acontecer por sustentação local – ou seja, quando ainda é possível identificar quem transmitiu o vírus.

Segundo a infectologista Lessandra Michelin, diretora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), a partir do momento em que o quadro brasileiro for considerado de transmissão comunitária (quando deixa de ser possível identificar os provedores da doença), o país passará a testar apenas os casos graves para mensurar estatisticamente o impacto no sistema de saúde.

“O número de infectados tende a aumentar e é inviável, em um país continental como o Brasil, testar todos os casos. Nas condições graves, então, é imprescindível, pois são esses pacientes que utilizam leitos e recursos do sistema de saúde”, comenta Michelin.

Confira um guia com informações oficiais e atualizadas sobre o coronavírus:

O que caracteriza a pandemia? O que fez ser declarada agora? O que muda?

A pandemia caracteriza-se pela expansão do coronavírus ao redor do mundo. Enquanto antes apenas algumas regiões (como China, Itália e Irã) eram consideradas críticas para a transmissão, agora todos os países estão sob alerta. Na prática, as orientações da OMS não mudam. Entretanto, se antes o foco era nos cuidados com as pessoas infectadas, agora os países devem trabalhar na prevenção de novos casos e na contenção do vírus.

A taxa de letalidade aumentou?

Não. A classificação de pandemia não altera a letalidade do coronavírus, que não passa de 4%.

Novos números: doentes, mortes, evolução da patologia

No momento do anúncio da classificação do coronavírus como uma pandemia, Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que o mundo registrava mais de 118 mil infecções em 114 países, além de 4.291 mortes decorrentes da Covid-19.

Novos números no Brasil: casos confirmados, estados etc

Até às 17 horas do domingo, dia 15, foram registrados 200 casos do coronavírus. Nenhuma morte foi notificada. Entre os estados com notificações oficiais estão: Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Espírito Santo, Alagoas e Distrito Federal. Há apenas um caso grave, no Distrito Federal, em que o paciente de 52 anos apresentou piora no quadro respiratório e segue instável. O agravamento, no entanto, está ligado a doenças pré-existentes na paciente.

O que há de novo em estudos sobre a Covid-19?

Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto para Estudos Avançados de Hangzhou, da Universidade Westlake de Hangzhou e da Universidade de Pequim, na China, determinou a forma como o vírus age no organismo: o coronavírus se conecta a uma proteína presente na membrana celular. Ao determinar a proteína que serve de porta de entrada para a doença, os pesquisadores abrem caminho para que novas drogas sejam desenvolvidas para o tratamento da doença.

Como são feitos os testes no Brasil? Todos os estados possuem laboratórios credenciados?

Em audiência na Câmara dos Deputados, no dia 11, o ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta, garantiu que até 18 de março todos os estados receberão o kit de testes em sua rede laboratorial do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, segundo o ministro, é eliminar o tempo de envio das amostras para centros de referência distantes.

O Brasil precisará de medidas mais restritivas?

“Há estudos que mostram que a utilização da quarentena diminui o risco de contaminação comunitária. Além disso, restringir aglomerações como em shows e eventos esportivos fazem realmente diferença na disseminação de casos”, destaca Michelin.

Ainda assim, a infectologista da SBI reconhece que o boom de casos no Brasil ainda está por vir, com a chegada do outono e inverno. “Essas decisões cabem ao Ministério da Saúde que ainda está avaliando a situação, mas acredito que restringir aglomerações seja uma estratégia ideal”, finaliza.

Há alguma nova diretriz do Ministério da Saúde para os profissionais da saúde na hora do atendimento?

“Continuamos usando os mesmos EPI’s, e as mesmas medidas recomendadas pelo Ministérios da Saúde. Não há necessidade de novos equipamentos”, salienta Michelin. Segundo ela, máscaras do tipo N95/PFF2 e aventais seguem sendo referência no atendimento de pacientes suspeitos ou infectados.

Ainda há separação entre as notificações de infecção importada e contaminação local?

“Isso ainda está sendo feito para mensurarmos a quantidade de leitos e insumos que serão necessários”, explica Lessandra Michelin. Segundo a infectologista do SBI, o mapeamento é estatístico e baseia-se em dados de transmissão e em casos graves. A partir daí é calculada uma média de recursos necessários para tratar o paciente.

A expectativa de Michelin é de que, em breve, indivíduos que com sintomas leves não sejam testados, pois não dependem de recursos internação. “O que a gente precisa é de números de casos graves pra mudar a conduta de manejo. É esse paciente que vai ocupar hospital, suspender cirurgia eletiva, isolar UTI ou montar leito fora da UTI em quarentena”, afirma.

E quanto aos planos de saúde, terão que cobrir testes?

O Ministério da Saúde confirmou que os planos de saúde terão de realizar e cobrir os atendimentos para cientes com coronavírus. No entanto, ainda não há regulamentação para o encaminhamento dos atendimentos.

Na terça-feira, dia 10, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) se reuniu com representantes das empresas para acordar um programa de ação. A intenção da ANS é que os planos não cobrem custos extras, mesmo que a regulamentação não tenha sido publicada. Ainda assim, até o momento, não é considerado ilegal que os planos cobrem pelos atendimentos.

Como a atenção básica e os hospitais estão se preparando para o aumento dos casos?

Enquanto o Brasil trabalha com o conceito de contaminação local, os hospitais de referência ainda são aqueles vinculados ao SUS. A partir do momento em que a transmissão comunitária for instalada no país – o que, acredita-se, deve acontecer em poucas semanas – todos os hospitais (públicos ou privados) devem estar preparados para atender pacientes com coronavírus para não sobrecarregar a rede pública.

Segundo o MS, 90% dos casos podem ser atendidos em postos de saúde. Em alguns municípios, essas unidades terão expediente estendido.

E o edital do Mais Médicos para o coronavírus?

Para atender a pandemia de coronavírus, o Ministério da Saúde lançou um edital convocando mais de 5 mil médicos, a fim de ampliar os atendimentos na atenção básica. A medida ocorre por meio do programa Mais Médicos. Os profissionais serão distribuídos em 1.864 municípios de todo o país, além de 19 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Capitais e grandes centros urbanos voltarão a fazer parte do programa, que vinha priorizando municípios mais carentes. Os interessados podem se inscrever a partir de segunda-feira, 16 de março.

Vacinação antecipada: como deverá funcionar?

Há pessoas anunciando vacinação contra o novo coronavírus. No entanto, pode haver confusão (e má-fé) envolvendo outras vacinas, como a da gripe. “A vacina contra a influenza só protege da influenza. Quem vende essa vacina dizendo que protege do coronavírus está mentindo”, salienta Michelin. Ainda assim, é recomendável a vacinação contra a influenza, já que se a maioria da população for imunizada será mais fácil identificar os casos de coronavírus.

Além disso, enquanto a população estiver protegida de um quadro respiratório grave e de pneumonias virais, não haverá necessidade de atendimento em serviços de saúde. Assim, os hospitais terão mais leitos para atender as internações decorrentes de coronavírus – que tendem a aumentar com a chegada do inverno.

A Covid-19 tem avançado exponencialmente em diversos países ao redor do mundo. Atrelado a isso, há uma abundância de dados, estudos e orientações que mudam constantemente, conforme os cientistas vão descobrindo mais sobre o vírus. Para auxiliar os profissionais de saúde no combate à doença, nós estamos realizando uma cobertura especial e gratuita em conjunto com a Artmed Editora.

Fazendo seu cadastro neste link, você vai receber diariamente vídeos, podcasts, artigos e diversos materiais exclusivos produzidos por nossos autores e parceiros. São conteúdos confiáveis, com curadoria e alinhados com as últimas atualizações. Além disso, disponibilizamos acesso a livros e portais de informações médicas. Aproveite!

Redação Secad
Matéria por

Redação Secad

O melhor conteúdo sobre a sua especialidade.

Tele-Vendas

(51) 3025.2597

Tele-Vendas Liga

Para você

Informações

(51) 3025.2550