Novembro Azul: estado de saúde define tratamento do câncer de próstata

  • novembro/2019
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Movimento iniciado na Austrália em 2003, o Novembro Azul tem como propósito a conscientização quanto à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata (CaP). A doença é, hoje, o segundo carcinoma que mais causa óbitos entre homens no mundo.

Seu tratamento varia de acordo com o estádio em que é detectado – começando por tumor primário e podendo chegar a metástase. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA)estadiar um caso de neoplasia maligna significa avaliar o seu grau de disseminação. O estádio de um tumor reflete não apenas a taxa de crescimento e a extensão da doença, mas também o tipo de tumor e sua relação com o hospedeiro.

O Ministério da Saúde estima em 68 mil o número de novos casos para o biênio 2018-2019. A incidência e a mortalidade aumentam a partir dos 50 anos, com cerca de 75% dos casos no mundo ocorrendo a partir dos 65 anos, conforme o INCA. No Brasil, a prevalência deve aumentar como consequência do progressivo envelhecimento da população.

Ao contrário das mulheres, homens não costumam procurar atendimento médico periodicamente. A prática (ou a falta dela) é um risco, já que uma das maneiras de prevenir a doença é o seu rastreamento – ou seja, a aplicação de testes e exames em pacientes assintomáticos para identificar possíveis lesões do câncer.

Fatores de risco do câncer de próstata

  • Excesso de gordura corporal;
  • Idade superior a 50 anos;
  • Hereditariedade: pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos;
  • Hábitos alimentares e estilo de vida de risco;
  • Mecanismos biológicos: metabolismo esteroide sexual desregulado, hiperinsulinemia e níveis elevados de citocinas pró-inflamatórias;
  • Exposição a aminas aromáticas (utilizadas nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio), arsênio (presente em conservantes de madeira e em agrotóxicos), produtos de petróleo, motor de escape de veículo, Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas.

Sintomas do câncer de próstata

Na fase inicial, os sintomas do câncer de próstata podem não se manifestar ou serem semelhantes aos do crescimento benigno da glândula – como dificuldade de urinar ou necessidade de urinar mais vezes durante o dia ou à noite.

Quando em fase intermediária ou avançada, os sintomas são:

  • Alteração na frequência e nos padrões urinários;
  • Hematúria;
  • Disfunção erétil;
  • Dor óssea;
  • Infecção generalizada;
  • Insuficiência renal.

Diagnóstico do câncer de próstata

Os sintomas iniciais do câncer de próstata podem ser identificados em consultas de rotina. Recomenda-se que o médico urologista faça o toque retal e analise a dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA, na sigla em inglês).

Conhecer o nível da proteína no sangue auxilia na detecção, no monitoramento e na definição do estádio do câncer. Segundo um estudo realizado por pesquisadores do Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), em São Paulo, a relação entre o PSA livre e total abaixo de 15% sugere a ocorrência de CaP. Além disso, o médico deve estar atento ao fato de que a disponibilidade do PSA aumenta com o avanço da idade.

Em casos de suspeita da doença, urologistas costumam indicar os seguintes exames:

  • Ressonância nuclear magnética multiparamétrica (mpMRI);
  • Ultrassonografia pélvica ou prostática transretal;
  • Biópsia prostática transretal ou transperineal (fornece a gradação histológica do Escore de Gleason – GS, na sigla em inglês);
  • Imagem transversal abdominopélvica transversal;
  • Cintilografia óssea.

Estádios do câncer de próstata

Como dito, o prognóstico do câncer de próstata varia conforme o estádio da doença, classificado pelo Sistema TNM (Tumor – Nodo – Metástase), preconizado pela União Internacional Contra o Câncer (UICC).

A classificação trata da extensão do comprometimento causado pelo CaP (localizado ou disseminado), a partir das características encontradas na gradação histológica:

  • T (tumor primário): classificado entre TX e T4.
  • N (linfonodos regionais): quando o câncer se espalhou para os linfonodos próximos do órgão inicialmente afetado. A classificação vai de NX a N3.
  • M (metástase à distância): quando o câncer se espalhou para partes distantes do órgão inicial. Existem duas gradações: MX e M1.

Além disso, deve-se considerar que as categorias são subclassificadas em gradações alfabéticas (a, b, c).

Tratamento do câncer

A indicação do melhor tratamento do câncer de próstata depende, portanto, do estádio e das características da doença, das comorbidades e do estado geral de saúde, da idade e da preferência do paciente.

Pacientes de baixo risco (PSA < 10 ng/mL e GS < 7), por exemplo, demandam vigilância ativa por meio de acompanhamento periódico, sendo avaliada a necessidade de intervenções de acordo com o surgimento dos sintomas.

Para os níveis intermediário (PSA 10-20 ng/mL ou GS 7) e alto (PSA > 20 ng/mL ou GS > 7), podem ser aplicadas as seguintes intervenções, segundo diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU):

  • Radioterapia (RT): hipofracionamento moderado (HFX) com intensidade modulada (IMRT) ou de arco externo volumétrico (VMAT) e braquiterapia (colocação de sementes de iodo-125 na próstata por meio de agulhas);
  • Cirurgia para retirada de tumor: prostatectomia radical aberta, laparoscópica ou robótica associada à linfadenectomia estendida em casos de alto risco;
  • Medicação: uso de agonista ou antagonista de LHRH e antiandrogênio periférico associado à RT em pacientes com risco intermediário;
  • Dissecção linfonodal pélvica (PLND): Indicada para casos de risco intermediário e alto;
  • Ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU);
  • Crioterapia;
  • Cuidados paliativos: Variam de acordo com as necessidades apresentadas pelo paciente e podem ser aplicadas em qualquer estágio.

Dado o diagnóstico e indicadas as opções de tratamento por parte do médico oncologista, o paciente deve ser instruído sobre os possíveis efeitos colaterais da intervenção aplicada. Pelo mesmo motivo, em casos de comorbidades e expectativa de vida limitada, o tratamento pode ser adiado para evitar a perda da qualidade de vida.

 

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