Diagnóstico precoce evita complicações da doença renal infantil

  • outubro/2019
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A doença renal em pacientes pediátricos têm sido cada vez mais comum. Tanto que a edição de 2019 do Dia Mundial do Rim (celebrada em 13 de março) teve como foco a prevenção de disfunções renais em crianças.

Hábitos alimentares, sobrepeso, histórico familiar e ausência de aleitamento materno são fatores que contribuem para o desenvolvimento de enfermidades como cálculos, infecção, cistos, tumores e insuficiência renal. Problemas assim são recorrentes nas emergências pediátricas, mas podem – e devem – ser prevenidos através do diagnóstico precoce.

Os rins exercem múltiplas funções no organismo: excreção de produtos finais de diversos metabolismos; produção de hormônios; controle do equilíbrio hidroeletrolítico; controle do metabolismo ácido-básico e controle da pressão arterial. Alterações em seu funcionamento na infância podem comprometer a saúde renal por toda a vida. Casos de diagnóstico tardio ou má-formação levam à dependência de hemodiálise e até à necessidade de transplante.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cerca de 10% dos lactentes que chegam às emergências exclusivamente com febre alta podem ter infecção do trato urinário. A condição, quando não tratada adequadamente, torna-se reincidente e compromete os órgãos gradativamente.

Geralmente, os sintomas renais na infância são múltiplos. Além disso, na maioria do tempo a doença é silenciosa. Essa combinação faz com que pais procurem atendimento apenas quando a criança já manifesta alterações na urina (como quantidade, coloração e odor), além de edema ou hipertensão, anemia, dificuldade em ganhar peso ou disúria.

Diagnóstico

Diante da suspeita de disfunção renal, o pediatra intensivista deve fazer uma ampla pesquisa sobre os antecedentes pessoais e familiares. Entram aqui as seguintes avaliações:

  • Observar dados da ultrassonografia pré-natal;
  • Atentar a antecedentes de infecção do trato urinário;
  • Avaliar se há casos de insuficiência renal crônica (IRC) na família;
  • Estar ciente dos dados epidemiológicos relativos à etiologia da IRC na infância.

Para o pediatra intensivista Gilberto Pascolat, é fundamental que o médico elabore uma anamnese completa e o exame físico detalhado para identificar as doenças renais. “Para se confirmar e poder identificar corretamente qual a disfunção renal presente, devemos utilizar métodos auxiliares diagnósticos, como exame da urina, provas de função renal e, dependendo da situação, exames de imagem”, explica.

Anamnese

  • Em gestantes, é preciso observar as condições de saúde da mãe para excluir o risco de doença renal. Fatores como uso de drogas, desnutrição, sobrepeso e doenças metabólicas podem desencadear a doença no bebê.
  • No recém-nascido o pediatra deve observar sepse neonatal, fumo passivo e ganho de peso rápido como fatores de risco. Incentivar o aleitamento materno é uma das principais formas de prevenção.
  • Em crianças e adolescentes é preciso investigar os hábitos alimentares e incentivar a prática de atividades físicas. Aqui, pais, escola, familiares e todos que convivem com a criança devem ser incluídos na orientação de hábitos saudáveis.

Tratamento

Cada disfunção renal tem sua terapêutica específica. Em geral, recomenda-se tratamento conservador, com antibióticos e mudanças nos hábitos de vida – suficientes para quadros como infecção do trato urinário. A doença renal crônica, no entanto, exige classificação do nível do comprometimento dos rins para que se estabeleça o tratamento.

Assim, indivíduos que apresentem por três meses seguidos taxa de filtração correspondente a TFG<60ml/min/1,73m² são considerados portadores de doença renal crônica.

Para a determinação do tratamento de referência, o pediatra deve observar os seguintes estágios:

  • Estágio 1:TFG ³ 90mL/min/1,73m² na presença de proteinúria e/ou     hematúria ou alteração no exame de imagem.
  • Estágio 2:TFG ³ 60 a 89 mL/min./1,73m².
  • Estágio 3a:TFG ³ 45 a 59 mL/min./1,73m².
  • Estágio 3b:TFG ³ 30 a 44 mL/min./1,73m².
  • Estágio 4:TFG ³ 15 a 29 mL/min./1,73m².
  • Estágio 5 – Não Diálitico:TFG < 15 mL/min./1,73m².
  • Estágio 5 – Dialítico:TFG < 15 mL/min./1,73m².

Com esses dados, o médico deverá fazer o encaminhamento do paciente para o nefrologista, a fim de determinar o tratamento – classificado da seguinte forma:

  • Conservador nos estágios de 1 a 3: controlar os fatores de risco para a progressão da doença.
  • Pré-diálise nos níveis 4 e 5-ND (não dialítico): manutenção do tratamento conservador, concomitante ao preparo adequado para o início da Terapia Renal Substitutiva (substituição da função renal por hemodiálise, diálise peritoneal e transplante renal).
  • Terapia Renal Substitutiva (TRS) quando apresentar estágio 5-D (diálitico).

Prevenção

A prevenção das doenças renais deve ser constante nas consultas pediátricas. Alguns pontos são diferenciais para o controle de doenças renais. Entenda:

– Investigar hábito miccional e intestinal da criança;

– Lembrar que todos os pacientes pediátricos que já passaram por lesão renal aguda podem evoluir para disfunção renal progressiva;

– Identificar e reverter de imediato situações de desidratação prolongada, principalmente em pacientes de risco para doença renal crônica.

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