Como a nanotecnologia na medicina revoluciona a indústria farmacêutica

  • julho/2019
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A utilização da nanotecnologia na medicina cresceu exponencialmente desde a década de 1990. A indústria farmacêutica foi uma das principais beneficiadas pelo desenvolvimento dessa tecnologia.

Sua aplicação na produção de fármacos está melhorando a eficiência dos remédios, diminuindo a toxicidade dos efeitos colaterais e abrindo novos mercados de atuação do farmacêutico.

Desenvolver soluções em sistemas invisíveis a olho nu é uma das premissas da nanotecnologia. Na indústria farmacêutica, tal conceito é utilizado para a elaboração de fármacos até então pouco solúveis ou que têm a eficácia reduzida devido à forma de entrega.

Se um quimioterápico é administrado em forma de comprimido, por exemplo, o corpo precisará digeri-lo até que faça efeito sobre a doença. Com a nanotecnologia, é possível utilizar até 20% do fármaco. Após a ingestão (ou aplicação), ele atuará diretamente no tumor, sem afetar o organismo.

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O mesmo é possível para a necessidade de alta dosagem com potencial tóxico. Em um nanofármaco, todo o potencial do medicamento é condensado em frações um trilhão de vezes menor que um metro.

Tal anatomia auxilia no controle da liberação dos ativos e os torna menos suscetíveis aos efeitos do ambiente. A infinidade de formas e dosagens é o que os nanomedicamentos prometem revolucionar, já que atendem a uma demanda antiga e necessária na medicina: a personalização de terapias.

A seguir, confira um panorama sobre nanomedicamentos no Brasil e como atuar na área.

Cenário da Nanotecnologia na Medicina

Mesmo a redução do número de patentes nos últimos seis anos é vista por especialistas como um indício de que a nanotecnologia na medicina entrou em um estágio de maturidade. O maior número de patentes registradas vem de países com uma indústria farmacêutica robusta. Os líderes são os Estados Unidos, França, Reino Unido, Austrália, Alemanha.

O Brasil não fica muito para trás, aparecendo logo em seguida no ranking de patentes de nanociência na farmácia. No médio prazo, inclusive, o país deve ocupar uma posição competitiva em áreas específicas, como imageamento molecular e desenvolvimento de materiais nanoestruturados biocompatíveis para aplicações em diversos campos da medicina.

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O problema é que o país ainda não possui um marco regulatório para a nanotecnologia na medicina. Em relação aos fármacos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), apesar de acompanhar os debates mundiais sobre o assunto, ainda não possui uma normativa para estes produtos. A liberação de nanomedicamentos é feita caso a caso, observando apenas os critérios sanitários. Porém, questões éticas e até jurídicas do uso de nanotecnologia em humanos ainda divide opiniões.

Benefícios terapêuticos incluem redução da toxicidade

Pesquisas recentes têm consolidado os benefícios da aplicação da nanotecnologia no desenvolvimento de medicamentos. Entre as vantagens observadas do ponto de vista terapêutico, é possível citar o aumento da eficácia dos remédios, a redução dos efeitos colaterais e, consequentemente, a maior adesão dos pacientes aos tratamentos.

Além disso, os nanossistemas podem liberar o fármaco progressivamente ao longo de um período determinado de tempo. Dessa maneira, a nanotecnologia na medicina possibilita que os profissionais da saúde alterem algumas regras de posologia, aumentando o intervalo entre uma dose e outra.

Área de atuação para farmacêuticos

A consolidação da nanotecnologia na produção de fármacos traz alguns desafios ao setor, especialmente no Brasil. Para entrar no seleto grupo dos principais produtores de conhecimento na área, é preciso formar um corpo técnico qualificado. O que representa uma oportunidade de atuação do farmacêutico.

As universidades também estão atentas a esse contexto. Uma associação de nove instituições de ensino superior (UFG, UFRGS, USP-RP, Unesp-Araraquara, UFPE, UFSC, UFRN e UFSM) criou o programa de pós-graduação em Nanotecnologia Farmacêutica (PPGNanoFarma). As pesquisas desenvolvidas pelos farmacêuticos vão desde um protetor solar até tratamentos para o câncer.

Uma delas, por exemplo, em andamento na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), resume boa parte dos benefícios da aplicação da nanotecnologia na produção de fármacos. Nesse caso, foram criadas nanocápsulas para aumentar a estabilidade da curcumina – um produto de origem natural que ajuda no tratamento de câncer de boca – e controlar a velocidade de liberação dela no organismo do paciente.

Os sistemas de liberação controlada de fármacos têm uma atenção especial da área, como mostra uma revisão de publicações sobre o uso de nanotecnologia farmacêutica no tratamento de malária. Conforme o estudo, diversos nanossistemas demonstram eficácia na otimização de vacinas e quimioterápicos destinados ao controle da doença.

A atuação do farmacêutico também pode se voltar à produção de cosméticos. Uma parceria das faculdades de Química e Farmácia da UFRGS e a indústria farmacêutica Biolab produziu o primeiro bloqueador solar de fator 100 do Brasil. O produto foi criado graças a nanocápsulas biodegradáveis, melhorando a fotoproteção.

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