Como implementar o treinamento para Covid-19 nos serviços de saúde

  • maio/2020
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treinamento para covid-19

Em abril, quase dois meses depois do registro dos primeiros casos no Brasil, o Ministério da Saúde instituiu uma estratégia de treinamento para Covid-19 aos profissionais de saúde. Antes disso, no entanto, os serviços de saúde já vinham desenvolvendo seus próprios sistemas de qualificação profissional, a fim de garantir a segurança de colaboradores e pacientes.

A iniciativa do governo federal, intitulada O Brasil Conta Comigo – Profissionais da Saúde, convoca profissionais da área para um cadastramento. O objetivo é promover treinamentos específicos de acordo com os protocolos científicos de enfrentamento da Covid-19. Através da educação a distância, o Ministério da Saúde promove cursos de atualização dos inscritos e aprovados pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE-nCoV). Nesse caso, a procura pelo treinamento para Covid-19 parte do profissional de saúde.

Sabe-se, entretanto, que a linha de frente da assistência está nos hospitais – sobretudo em unidades de terapia intensiva (UTI). O problema é que, por enfrentarem rotinas desgastantes, esses profissionais têm sua autonomia limitada, dada à gravidade da pandemia. Portanto, cabe também aos serviços de saúde promover a qualificação profissional sem onerar ainda mais o tempo e a saúde mental desses profissionais.

Hospital de Clínicas de Porto Alegre: uma referência

Um dos primeiros serviços de saúde a implementar um sistema interno de treinamento para a Covid-19 foi o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). Por conta disso, tornou-se também uma referência no enfrentamento do novo coronavírus. Desde janeiro, um grupo executivo formado por técnicos, gestores e profissionais de saúde atua no planejamento e coordenação de estratégias para o novo coronavírus. Observando os casos pelo mundo e reunindo documentos e estudos, a instituição elaborou o próprio protocolo. Até meados de maio, haviam sido treinados cerca de 3 mil profissionais.

“Inicialmente, separamos o fluxo de pacientes com suspeita para as áreas dedicadas ao atendimento de Covid-19, como UTI, emergência e pediatria. A partir disso, separamos as áreas prioritárias de treinamento”, explica o infectologista Rodrigo Pires dos Santos, coordenador da comissão de controle de infecção hospitalar do HCPA.

Segundo Santos, os primeiros conteúdos foram voltados à organização. A ideia era garantir agilidade nos atendimentos, o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI), melhorar fluxos internos e otimizar rotinas de diagnóstico e tratamento.

A primeira etapa dos trabalhos contou com orientações presenciais, incluindo temas como demonstrações de paramentação e desparamentação. Em seguida, o hospital passou a trabalhar com a qualificação dos profissionais também de maneira virtual, disponibilizando os materiais reunidos via intranet. O coordenador da comissão de controle de infecção hospitalar do HCPA revela, ainda, que a instituição planeja criar um curso online sobre Covid-19 aberto ao público externo.

Qualidade do treinamento para Covid-19

A Covid-19 tem acometido milhares de profissionais de saúde. No Brasil, até 15 de maio, cerca de 32 mil profissionais já haviam sido diagnosticados com a doença. Nesse cenário, torna-se evidente a necessidade de qualificar a maior quantidade possível de indivíduos que atuam no serviço de saúde – e não apenas as equipes específicas de enfrentamento ao coronavírus. Assim, cada vez menos pessoas serão infectadas e, em caso de ausência, haverá mão de obra qualificada para suprir a escassez de profissionais.

O sucesso dos treinamentos no hospital de Porto Alegre pode ser observado pelo baixo índice de profissionais infectados. No HCPA, segundo Santos, não há casos de infecção interna. “Em geral, os profissionais afastados tiveram contato com o coronavírus fora do ambiente hospitalar”, explica.

Durante a pandemia, é normal que protocolos e diretrizes de manejo da Covid-19 passem por alterações, à medida que surgem novos sintomas e possibilidades de tratamento. Por conta do estresse causado pelo volume de trabalho, do medo da contaminação e do excesso de informação, os profissionais de saúde podem ativar gatilhos de ansiedade.

Para assegurar que os conhecimentos adquiridos estão sendo assimilados e bem aplicados, o HCPA mantém um sistema de escuta ativa. “Depois do treinamento, colhemos um feedback para saber qual o nível do aprendizado e de aplicação dos conhecimentos”, explica Santos.

Por ser um hospital escola, ligado à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o embasamento científico e a dinâmica educacional estão presentes na cultura da instituição. “Essa proximidade nos permite discutir com os profissionais, observar o impacto da teoria na rotina prática e saber quais adaptações foram feitas. Essa forma de trabalhar, voltada ao profissional, vem desse formato, que aprendemos com a universidade.”

Realidade brasileira

Nem todos os serviços de saúde dispõem do respaldo acadêmico ou têm condições de acionar treinamento para Covid-19 de maneira tão eficaz. Ainda mais diante da urgência de questões como escassez de equipamentos de proteção individual e de respiradores.

Por isso, instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) mantêm cursos online gratuitos, desenvolvidos com seus pesquisadores e professores. Além disso, os Conselhos de cada área, bem como muitas associações e instituições privadas mantêm uma série de cursos e atualizações à disposição dos profissionais. Os conteúdos, geralmente chancelados por entidades representativas, podem ser replicados por hospitais e outros serviços no esforço de qualificação de seus profissionais.

Redação Secad
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